Marcelo Lima Gerhardt

Marcelo Lima Gerhardt

05/08/2016

Será?

Meu cavalo ganhou o Freio de Ouro !!! Ta, e dai ?
 
A competição mais importante da raça, chamariz para novos usuários, futuros criadores , ou não, esta longe de obter a valorização alcançada pela competição morfológica. Um vencedor do Freio é reconhecidamente o animal mais importante do ciclo, o mais conhecido, mais badalado, mas definitivamente, não é o mais valorizado, os números nos contam isso.
 
Durante muito tempo inúmeros debates a cerca do assunto acompanham os papos nos acampamentos, nas  rodas de trago, de mate. Porque o cavalo funcional não alcança os expressivos valores do ” cavalo morfológico “?
 
Se ouve por ai manifestações do tipo :
 
“O Freio, e seu regulamento , nos vende a ideia de que o cavalo completo é o bonito e bom ! Porém , o cavalo bom é infinitamente diferenciado em sua morfologia do bonito, mesmo que esperneiem  com exemplos de animais vencedores em ambos os certames, sabemos, eles foram exceção.” 
 
“Temos que retirar a nota morfologia do freio, dai sim os vencedores seriam os melhores cavalos, os mais hábeis. “
 
“Hoje pra entrar no freio , tem que sair com cabresto acima de 7,00 se não nem adianta correr.”
 
A verdade é que a raça tem apaixonados por ambas as categorias, quase nunca concomitantemente. Hoje se dividem em: “funcionalistas” e “morfologistas”.
 
Quem tem cabresto, cultua o cabresto, se apaixona , se mostra, verbo “bonitiá” !
Quem tem genética de prova, busca cavalo bom, de correr, de vencer, e desfaz os “pingos de puxar “.
 
Mas sem perder o rumo da prosa ,me parece que uma valorização do cavalo funcional , a ponto de se chegar aos preços praticados na morfologia, ocorreria com maior rapidez se definitivamente se distinguissem as modalidades. Se na prova do Freio não influísse a morfologia. Isso poderia servir de alavanca para que os aficionados dessa modalidade investirem maiores cifras, pela simplicidade da competição, pela vitória do seu cavalo, pela linhagem do seu cavalo ,enfim…
 
Em contra partida a raça se dividiria. Teríamos dois tipos de cavalo, quase antagônicos do ponto de vista morfológico, e ha quem diga que retrocederíamos.
 
Outras raças já passaram por isso, assim foi no Quarto de Milha no Mangalarga.
 
Na verdade é muito difícil que se altere o regulamento de uma prova consagrada como o Freio, prova referencia para toda América do Sul, prova que abriu as fronteiras para o Crioulo, mas algo tem que ser feito para que o cavalo de prova alcance maior valorização, em ano de eleição, fica a dica.
 
A solução é fácil basta querer. Será ?